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Preservar Valor Histórico: o que significa na prática para um Veículo de Coleção?

Um veículo pode ter mais de 30 anos e ainda assim não preservar valor histórico. Essa afirmação, para muitos colecionadores, pode soar dura. Mas é justamente esse ponto que separa um carro antigo comum de um verdadeiro veículo de coleção, reconhecido oficialmente e capaz de representar, com fidelidade, a história automotiva de uma época.



Preservar valor histórico em veículo de coleção


O conceito de preservar valor histórico é uma das bases mais importantes dentro da legislação brasileira atual, especialmente após a Resolução n.º 957/2022 do CONTRAN, que passou a regulamentar com maior clareza a classificação de veículos de coleção no Brasil.


Neste artigo do ACDB, você entenderá o que significa preservar valor histórico na prática, porque isso vai muito além da estética e qual é o papel do clube certificador na avaliação técnica.



O que é um veículo de coleção segundo a Resolução 957/22?


A definição oficial está no Art. 2º, Capítulo I, da Resolução n.º 957/2022 do CONTRAN: “Veículo de coleção é aquele fabricado há mais de trinta anos, original ou modificado, que possui valor histórico próprio.”


Esse artigo é extremamente importante porque ele deixa claro que tempo não é o único critério. Ou seja: ter 30 anos é condição obrigatória, mas não é suficiente.


O fator determinante é o chamado valor histórico próprio, que deve ser comprovado por meio de avaliação técnica.



O que significa “valor histórico próprio” e por que isso vai além da estética?


Na Resolução o termo “valor histórico próprio” deixa claro que um veículo de coleção não é definido apenas pelo tempo, mas pela sua capacidade de representar fielmente uma época. Na prática, isso significa que o veículo preserva características que permitem identificar com coerência:


  • O contexto histórico em que foi produzido;

  • O projeto original do modelo e sua proposta de fábrica;

  • Os padrões estéticos e técnicos do período;

  • E até como a sociedade se relacionava com o automóvel naquele tempo.


O automóvel sempre simbolizou status social, avanço tecnológico, comportamento cultural e estilo de vida. Por isso, preservar valor histórico é também preservar um patrimônio cultural e simbólico.


É importante destacar que preservar valor histórico não significa apenas manter o veículo bonito. A estética importa, mas ela é apenas um reflexo de algo maior: coerência, fidelidade ao período, respeito ao projeto original e conservação adequada.


Em outras palavras, um veículo pode estar visualmente impecável e ainda assim estar descaracterizado. Da mesma forma, um veículo em processo de restauração pode manter alto valor histórico, desde que o trabalho seja conduzido com critério e respeito aos padrões corretos da época.



Quais elementos compõem o valor histórico de um veículo de coleção?


O valor histórico de um veículo não está em uma única peça ou detalhe. Ele está em um conjunto de características que, juntas, contam uma história. Entre os principais pontos avaliados estão:


1. Cor e padrão original

A pintura do veículo deve respeitar as tonalidades e padrões do período, evitando cores modernas que nunca existiram para aquele modelo.


2. Interior e acabamento

A padronagem dos bancos, os materiais utilizados, o painel, o volante e até os instrumentos precisam ser compatíveis com a época.


3. Peças cromadas e detalhes estéticos

Cromados, emblemas e acabamentos fazem parte do design histórico. Quando substituídos por versões modernas ou descaracterizadas, o veículo perde autenticidade.


4. Design e conceito do modelo

O design original não é apenas “bonito”: ele é uma assinatura histórica do veículo. Alterações grosseiras podem comprometer completamente sua identidade.


5. Conjunto mecânico e coerência técnica

A motorização e o conjunto mecânico devem ser compatíveis com a proposta do modelo, especialmente quando se trata de veículos originais.



Veículo ORIGINAL: como o valor histórico é preservado?


No caso dos veículos originais, preservar valor histórico significa manter o carro o mais fiel possível à configuração e ao conceito do projeto original. Isso não significa que o veículo precisa ser “intocado”, mas significa que:


  • Peças e acabamentos devem respeitar a época;

  • Restaurações precisam ser feitas com critério;

  • Adaptações modernas não podem descaracterizar o conjunto.


Na prática, o valor histórico não é mensurado apenas pelo tempo, mas também pelo contexto histórico que o veículo representa e pelo seu estado de conservação na totalidade.



Placa Preta: qual é o sentido emocional e histórico para veículos originais?


Quando falamos de veículos originais, a Placa Preta possui um peso simbólico muito forte. Ela representa o reconhecimento oficial de que aquele veículo preservou características essenciais de uma época. Para muitos colecionadores, receber a placa preta significa:


  • Validação do cuidado e da preservação;

  • Respeito à história automotiva;

  • Orgulho em manter um patrimônio;

  • Valorização cultural e patrimonial do automóvel.


Por isso, não faz sentido banalizar a certificação.


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O papel do clube certificador na preservação do valor histórico


A certificação de um veículo de coleção não é automática. Ela exige avaliação técnica séria, conhecimento histórico e compromisso institucional com a preservação da história automotiva. É por isso que o papel do clube certificador é tão relevante.


Um clube sério não pode atuar como “carimbador de certificados”. Ele precisa avaliar, orientar e garantir que os critérios legais sejam respeitados.


O clube também tem um papel educativo: orientar proprietários a restaurarem corretamente seus veículos antes da certificação.



“Qual o sentido de colocar placa preta em um veículo mal conservado?”


Essa pergunta resume o ponto central. Como destaca o avaliador técnico do Automóvel Clube do Brasil, Eduardo Barbosa:


“Sempre devemos fazer a seguinte pergunta: qual o sentido de colocar Placa Preta em um veículo mal conservado e descaracterizado? A única razão de se certificar um veículo é preservar e manter suas características únicas de uma época, para que gerações futuras possam admirar e compreender a evolução do automóvel.”

Essa visão representa exatamente o que deveria ser o compromisso de qualquer entidade certificadora. Certificar um veículo em mau estado ou descaracterizado esvazia o significado da certificação e compromete a credibilidade do processo.



E quando o veículo é MODIFICADO?


A Resolução 957/22 também reconhece veículos modificados como veículos de coleção. Mas aqui o critério muda: o valor histórico não está na originalidade absoluta, mas na relevância cultural, técnica ou representativa da modificação. Isso significa que:


  • O veículo pode ter alterações em motor, suspensão, visual ou conjunto mecânico;

  • Essas modificações não podem ser aleatórias;

  • Precisa fazer parte da história do veículo ou de uma cultura automotiva específica;

  • Suas modificações devem respeitar normas de regulamentação. No processo da certificação, o proprietário deve apresentar o Certificado de Segurança Veicular (CSV) expedido por Instituição Técnica Licenciada (ITL) pelo DETRAN do estado.



Veículo de Coleção  deve preservar valor histórico - Entenda o que é!


Exemplos clássicos incluem:

  • Preparações esportivas de época;

  • Veículos adaptados historicamente para competição;

  • Modificações culturais tradicionais e reconhecidas.


Aqui, o valor histórico está na expressão cultural e técnica da modificação, e não na configuração de fábrica.



Como saber se o seu veículo é um veículo de coleção?


A forma mais segura de saber é por meio de avaliação técnica. De maneira geral, um veículo pode ser considerado candidato quando:


  • Tem mais de 30 anos;

  • Apresenta boa conservação;

  • Possui coerência com seu contexto histórico;

  • Mantém originalidade com pontuação mínima de 80% (quando aplicável) ou modificações regulamentadas;

  • Não apresenta descaracterizações graves.


Porém, somente uma vistoria técnica realizada por clube certificador pode confirmar a aptidão. É na vistoria presencial que a pontuação será identificada.



Preservar valor histórico é preservar patrimônio


Um veículo de coleção é uma peça viva da história. Ele carrega memória, engenharia, design e cultura. E quando preservado corretamente, ele permite que novas gerações compreendam como o automóvel evoluiu e como ele influenciou o comportamento das pessoas ao longo do tempo. A certificação existe por esse motivo: para proteger a história, não para apenas “entregar uma placa”.



Automóvel Clube do Brasil: tradição e responsabilidade na certificação


O Automóvel Clube do Brasil atua com seriedade e responsabilidade técnica na avaliação e certificação de veículos de coleção.


Se o seu veículo tem 30 anos ou mais, o primeiro passo é a avaliação técnica correta, conduzida por especialistas.






Frequentes (FAQ) – Veículo de Coleção e Valor Histórico


Veículo de coleção precisa ser original?

Não necessariamente. A Resolução 957/22 permite veículos originais ou modificados, desde que possuam valor histórico próprio.


Apenas ter mais de 30 anos já garante certificação?

Não. O tempo é requisito, mas a certificação depende de avaliação técnica.


Placa preta é só estética?

Não. Ela representa reconhecimento histórico e compromisso com a preservação de características de época.


Veículo modificado pode ser certificado?

Sim, desde que as modificações tenham relevância cultural, técnica e coerência histórica, respeitando normas de segurança e regularização.


 
 
 

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